terça-feira, 19 de julho de 2016

Epistemologia e a Nova Direita

 
Epistemologia e a Nova Direita
por Mark Dyal

Após examinar as duas resenhas da American Renaissance postadas no Counter-Currentes em 1 de agosto de 2012 eu não pude deixar de sentir como eu sempre sentia quando eu também era parte da academia americana. Eu ficava assombrado pela inabilidade dos pesquisadores em considerar o papel representado pela ordem prevalescente de conhecimento em sua conceitualização e implementação de pesquisa. A maioria das pessoas da academia fala apenas das "hipóteses intelectuais" de pesquisadores, buscando desentranhar os "preconceitos e equívocos" sustentados por aqueles envolvidos no estudo que possam afetar suas descobertas. Porém, os próprios entendimentos essenciais e culturais do humano - e do que significa ser humano - jamais são questionadas, e a realidade burguesa liberal (hoje monoliticamente antirracista, antibranca e multicultural) acrescenta outra pedra a sua fortaleza. Assim, o estudo de gêmeos não tem necessidade de criticar modelos burgueses de realização; como o estudo sobre altruísmo entendia a normalidade, legitimidade e decência do multiculturalismo.

É claro isso faz muito sentido quando consideramos que cada modo de vida sempre educou seus membros a incorporar seu critério particular de ser humano. Isso somente se torna um problema quando este critério de ser humano cria degenerados mentais ou físicos; ou quando homens como nós nos situamos fora da ordem dominante de conhecimento, ou episteme, apenas para sermos cercados pela realidade esquálida que ela cria.

Os objetos de pesquisa, especialmente na antropologia, meu antigo campo, são sempre já presumidos como sendo burgueses e liberais, mesmo quando eles existem em um dos poucos espaços que ainda não estão sob ontrole do liberalismo burguês, porque a maioria dos americanos em qualquer nível intelectual possui dificuldade em contextualizar qualquer coisa que eles saibam. Não é que é simplesmente fácil demais assumir que a mutilação genital feminina é abominável e um "problema" para todas as mulheres; que as pessoas no Irã querem apenas ser livres; ou que os fascistas italianos são paroquiais, homofóbicos e racistas; mas que os sujeitos culturais burgueses americanos e ocidentais - enquanto seres humanos - vivem, creem, conceitualizam, e portanto criam o mundo, nos termos de uma episteme específica.

Para um racialista, raça é tudo; para um culturalista, é a cultura; para mim, o conhecimento é tudo - especialmente como ele é produzido e como ele opera para motivar comportamentos. E quanto a forças políticas e econômicas? O materialismo é uma ideologia - um esquema que torna algumas coisas cognoscíveis e possíveis e outras coisas incognoscíveis e impossíveis. É o mesmo para a história, biologia, física, psicologia e cada disciplina na academia. Cada disciplina e ideologia opera dentro de uma episteme. Cada episteme é um conjunto coerente de valores e valorações que limitam e dirigem as condições da possibilidade humana. Epistemes o fazem por causa de um fato básico sobre o animal humano: nós somos uma espécie narrativamente impulsionada. Nós dizemos a nós mesmos quem, o que, onde, quando, e como, nós somos. Não há um único aspecto do comportamento humano que não recebe conteúdo através de uma narrativa. Comer, procriar, defecar, dormir, apenas para mencionar os comportamentos mais naturais, todos fazem sentido por causa da narrativa. Dizer isso não diminui a importância dos aspectos materiais de ser humano. Ao invés, aponta a um modo mais profundo de entender porque fazemos o que fazemos.

Enquanto outros como Alain de Benoist, Alexander Dugin, Pierre Krebs, Guillaume Faye e Tomislav Sunic (sem mencionar Nietzsche, Evola e Sorel) discutem o liberalismo e a forma de vida burguesa epistemicamente, ninguém na Nova Direita americana forneceu um esquema para compreender como o conhecimento opera e como o conhecimento burguês nos mantém enredado em sua rede. Estranhamente este é um problema inerente ao nome "nova direita" e sua contradistinção da "velha direita". Pois a que apontamos com tal distinção é nada menos que uma transição epistêmica, ou revolução conceitual.

Enquanto alguns acadêmicos entre nós ainda se apegam à idéia de que ler os clássicos ou nossos contemporâneos é importante apenas para sabermos o que eles disseram (usualmente para serem refutados e melhorados), vendo nosso problema epistemicamente - como um problema de conhecimento - torna importante ler o pensamento da Nova Direita de modo a continuar a tarefa - começada pela clássica e contemporânea Nova Direita europeia - de criar uma nova episteme, em resumo, uma nova ontologia que crie as possibilidades conceituais de nossa grandeza. Eu proponho que fazê-lo dará à Nova Direita americana um ímpeto revolucionário, e enquanto tal, um propósito superior do que meramente embranquecer a América.

Em essência, este trabalho está argumentando em duas frentes. Na primeira, é uma explicação um tanto simplista de como o conhecimento é produzido e como ele funciona. É uma curta síntese de uma vida acadêmica de teoria e filosofia do conhecimento, poder e transvaloração. Ela nos convida a compreender as consequências de nosso uso continuado de conceitos burgueses, liberais e modernos de "ser humano". Na segunda, ela nos convida a sermos mais como nossos pares europeus, que com sucesso herdaram e construíram sobre o pensamento de Nietzsche, Evola e Sorel (meus Três Grandes - sinta-se livre para acrescentar Schmitt, Ludovici, Jünger, etc.) para combater o homem moderno e pós-moderno em uma guerra de conhecimento e conceitos. Por que isso nunca aconteceu aqui, até agora, é tornado claro em Homo Americanus de Sunic, e talvez em Por que não há Socialismo nos Estados Unidos de Werner Sombart. Talvez os americanos "não tenham a aptidão" para criticar o homem burguês, mas eu me recuso a crer que nossa Nova Direita queira ser "americana". De outro modo, nós estaríamos simplesmente fazendo campanha para os republicanos e estaríamos contentados com "retomar nosso país".

Antes que nos atolemos discutindo epistemes, vamos tentar compreender como o conhecimento opera.

Como o conhecimento opera?

O conhecimento é afetivo. Ele produz ação. Pura e simplesmente, ele é a história necessária para motivar uma espécie narrativamente orientada - como a nossa - a agir.

Ele é a força uqe molda nosso daemon em formas e direções úteis para qualquer seja o rebanho entre o qual vivamos. Gilles Deleuze e Felix Guattari, pós-estruturalistas franceses que teorizaram o impacto do capitalismo e do desejo capitalista no corpo, usaram um modelo territorial para explicar como nossa energia corpórea, puissance, ou o que os gregos chamaram de daemon, é codificado e disciplinado a desejar por diferentes formas de expressão e redenção, na forma do pouvoir. (É possível conceber a expressão metaforicamente como forma e redenção como conteúdo - mas esta é muito mais importante e imbuída de valor do que isso. Ela é moral em conteúdo, mas ela é mais uma questão de que processo de acumulação é considerado óptimo em uma forma de vida. Pode ser dito que a vida grega homérica oferecia redenção heroica, o cristianismo medieval oferecia redenção espiritual, e a modernidade liberal burguesa oferece a redenção material para aqueles que abracem mais plenamente seu sistema de verdades e valorações). Qualquer um que tenha lido Genealogia da Moral de Nietzsche sabe que ele explicou a função do conhecimento moralista em termos similares, mas deixando de lado a linguagem pós-modernda hipnótica de Deleuze e Guattari.

Essa energia primordial e corpórea talvez originalmente existia como modo de garantir a procriação e a autopreservação, o que é comumente chamado de "lutar ou correr". Com o desenvolvimento da linguagem, porém, ela se tornou amarrada com a comunicação e a manipulação social do desejo. Ela foi, nos termos de Deleuze e Guattari, desterritorializada - trazida de seu domínio corpóreo de sexo e violência - e reterritorializada em algo útil para um agregado de pessoas mais complexo.

Ainda que essa descrição nos faça visualizar um processo repressivo e manipulativo, na verdade ele é criativo e gentil. Nietzsche falou sobre a vontade da mente de ordenar, organizar, controlar, reprimir, dirigir, impor limites e finalmente de disciplinar a informação sensória. Deleuze e Guattari subsumiram essa forma da vontade na produção corpórea de desejo, assim explicando que a subordinação e ordenamento da puissance não é uma imposição cursória nos modos nos quais se espera que vivamos, mas a própria produção da realidade e experiência vivida. Da perspectiva do desejo, a vida (puissance) e o governo da vida (pouvoir) são uma e a mesma coisa. Com a impossibilidade da coisa-em-si na mente, o pouvoir seria a única maneira pela qual nós podemos conscientemente conhecer o desejo - como um desejo por. Em outras palavras, o conhecimento dirige, organiza e disciplina o desejo, e ao fazê-lo normaliza o governo da vida. Assim, nós não podemos ser liberados desse processo, mesmo que o liberalismo tente nos fazer crer de outro modo, como eu explicarei abaixo.

De onde vem o conhecimento?

O conhecimento vem na forma de narrativa, seja popular, acadêmica, política, artística ou religiosa. Para epistemologistas, além de modelos tentados de conhecimento-implementação interpessoal (por exemplo, por que o capitalismo é capaz de nos manter buscando uma série infinita de objetos de consumo "definidores de personalidade", ao ponto de nós efetivamente liberarmos endorfina quando compramos e consumimos), os alvos mais valiosos de investigação são os regimes de verdade que produzem a informação mais útil e importante na episteme. Assim, no mundo burguês moderno, as ciências atraem a maior atenção. Tendo vindo a essa forma de investigação altamente filosófica a partir dos Estudos Afro-Americanos, eu sempre estive mais preocupado com a criação de altruísmo do que com a criação de diagnósticos psicológicos e médicos. Em qualqeur caso, um regime de verdade é um método de produzir, impor e proteger a verdade e as bases epistêmicas de ser humano. Foucault cunhou o termo "regime de verdade" de modo a tornar sensata sua hipótese de que a ciência e o conhecimento científico estão ligados a fontes de poder epistêmico. Não são apenas política e economia que controlam o que conhecemos, mas um sistema que que tornam nossas crenças verdadeiras e justificam seu status como conhecimento. Porque a vasta maioria dos homens modernos não estão lendo Foucault, mas sim assistindo a Fox News, eles ainda opdem supor que o status epistemológico das afirmações de conhecimento são independentes das operações de poder. Para nós, porém, é imperativo que começamos a pensar nosso projeto como um rompimento epistêmico.

Interessantemente, Foucault foi motivado em seu intelectualismo por Nietzsche, e foi um dos principais proponentes do "Nietzsche como democrata pós-moderno". Não obstante, o que permanece do "nosso Nietzsche" em Foucault é normalmente colocado em ótimo uso. Por exemplo, em "Verdade e Poder", Foucault explica que o problema político fundamental (com o qual nos deparamos, nós da Nova Direita) não é meramente criticar o que atualmente se passa por verdade, ou mudar a consciência das pessoas, mas separar "o poder da verdade das formas de hegemonia, social, econômica e cultural, na qual elas operam atualmente". Em outras palavras, nós devemos começar a criação de um novo regime de verdade; e a questão política se torna uma questão de uma nova narrativa. Onde Nietzsche está presente, aqui, é na suposição de que a verdade recebe poder epistemicamente e que qualquer vitória para nós só pode estar fundada em uma nova episteme.

Como estamos começando a ver, o conhecimento opera dirigindo nossas energias primais, e o conhecimento é produzido em acordo com as bases epistêmicas de formas de vida. O conhecimento é sempre um sistema que faz sentido. Enquanto tal, algumas coisas são cognoscíveis e outras são incognoscíveis. Outrora, nossa condição atual estava para além do reino da possibilidade.

As coisas mudam, porém. Há um pequeno punhado de estudiosos associados com a proeminente professora da Universidade de Stanford Sylvia Wynter que estudam as transições epistêmicas que culminaram com a criação da escravidão e do humano racial. Partindo do uso papal de Aristóteles para "entender" os nativos do Novo Mundo, para a transformação do feudalismo em capitalismo, eles leem a história da espécie como um caminho em direção ao altruísmo universalizado. Para esses estudiosos, a modernidade é um problema, mas não como ela é para nós. Enquanto nós experimentamos a modernidade como uma época construída sobre a domesticação do homem europeu e a destruição de suas tradições e capacidades para a auto-defesa violenta (entre outras coisas), eles experimentam a modernidade como aqueles que estão desesperados para crer na Revolução Francesa. Em outras palavras, eles querem que o Ocidente seja mais moderno - mais livre, igualitário, e universalmente fraternal. Eu menciono isso não apenas para ressaltar como é possível compreender nossa situação epistemicamente, mas para demonstrar como o regume de verdade do antirracismo ajudou sua causa. Pois nenhuma das críticas acadêmicas dirigidas a Wynter e seus companheiros jamais mencionou a natureza política de sua pesquisa ou questionou a moralidade de promover o altruísmo universal como progressivo. A episteme (e seus vários regimes operativos de verdade) tornaram essas preocupações incognoscíveis.

O linguista Philip Lieberman, uma das fontes favoritas de Wynter, buscou explicar o relacionamento entre valoração e altruísmo descobrindo de onde os dois entram na experiência humana. Seu trabalho é assombroso por duas razões: o quão claramente ele explica o poder da narrativa e a relação entre altruísmo e moralidade, e por falhar em contextualizar seu trabalho epistemicamente. Resultando do desenvolvimento biológico do cérebro e das ferramentas supralaríngeas necessárias para produzir a fala humana, ele deduziu que um novo tipo de capacidade cognitiva evoluiu. Essa era a habilidade humana de construir linguisticamente comportamentos codificaos como os controlados por sistemas de moralidade e ética. "Esses desenvolvimentos nos permitiram induzir os modos de altruísmo que nos ligam como grupos. Em consequência...no lugar de programas genéticos que regulam os comportamentos de todas as espécies orgânicas, nós desenvolvemos...programas culturalmente específicos pelos quais nossos comportamentos humanos - cognoscitivos, afetivos e acionais - vieram a ser...regulados".

Essa é a mesma conclusão alcançada por Nietzsche. Após primeiro explorar o elo entre linguagem e consciência, e concluir que o pensamento consciente, aquilo que assume a forma de linguagem, é a forma mais superficial de pensamento porque ela é construída apenas para conectar uma pessoa a outra, Nietzsche então busca compreender como a consciência está conectada a formas sociais humanas. "A consciência", ele diz, "pertence não à existência do homem como um indivíduo, mas sim à comunidade e aos aspectos gregários de sua natureza; ela é desenvolvida apenas em relação a sua utilidade para o rebanho. Consequentemente, nós somente podemos nos conhecer através do que é mediano e cognoscível desde a perspectiva do rebanho. Nós conhecemos exatamente tanto quanto seja útil para o rebanho humano".

Lieberman continua sua explicação do desenvolvimento do altruísmo para demonstrar como a tecnologia permitiu que o humano saísse de suas pequenas comunidades para povoar cada continente e para canalizar as forças da natureza. Nós o fizemos, porém, tendo ultrapassado a estreiteza dos modelos atruísticos ainda operacionais dos séculos anteriores. Enquanto a escravidão, por exemplo, era outrora um componente universal das formas de vida humanas, ela é agora "universalmente ilegalizada" (graças a nossos progressistas sistemas de ética e moral). Infelizmente, ele diz, a raça, a maldição de uma de suas variantes posteriores - a escravidão racial americana - ainda permanece "inconquistada".

Ao falar assim, Liberman demonstra não apenas que os sistemas ético-comportamentais eram narrativamente impulsionados, mas também que eles continuam a ser. Pois em lugar algum em seu livro sobre a evolução dos comportamentos altruístas e sua relação com a moralidade ele sente a necessidade de quantificar suas próprias posições morais - nem seu uso dessas posições para justificar a ideia de que a espécie está progredindo por causa de sua aversão ético-moral à escravidão. Nem, obviamente, ele sente a necessidade de explicar por que o "preconceito racial" é abominável.

De fato, a linguagem não é epifenomenica em relação às estruturas sociais nas quais ela opera, mas uma parte essencial dessas estruturas. Alexander Dugin afirma que o humano não é derivado de qualquer coisa-em-si mas da política. O sistema político, ele diz, "nos dá nossa forma". Este é um processo narrativamente impulsionado, dado que "o sistema político possui um poder intelectual e conceitual...para moldar o paradigma, integrado na sociedade através de instituições estatais". Esse paradigma, ou episteme, ele continua, é o que "nos constitui...a Política nos fornece nosso status político, nosso nome, e nossa estrutura antropológica". Ele conclui sua demolição epistêmica da primazia do homem burguês explicando que a transição do Estado tradicional para o moderno não foi apenas marcada por uma transformação de instituições políticas mas por uma "transformação do homem ao nível mais fundamental". Cabe a nós, ele diz, nos movermos similarmente para além da concepção moderna (e pós-moderna) operativa de nossa espécie. Fazê-lo, porém, não pode ser alcançado materialmente.

Fernand Hallyn concorda, propondo que "estruturas de significação" organizem "poeticamente", isto é, através da linguagem e da gramática, para fornecer, entre outras coisas, as fronteiras e limites entre "nós e eles". Ele chama esse processo de "poética do propter nos" - o "nós" por quem "nós" agimos. Para o desapontamento da Nova Direita americana, Francis Parker Yockey compreendeu que a raça é um conceito que só pode ser entendido no contexto do liberalismo. Como Michael O'Meara eplica, "o conceito científico de raça emergiu como a visão auto-interessada da burguesia anti-cultural, cujo materialismo negava a importância do espírito, da alma e da identidade - desprezadas não apenas como formas de privilégio aristocrático, mas como meros subprodutos superestruturais de um mundo inerentemente 'irracional'". Em outras palavras, o conceito do humano biologicamente racial nos deixa irrevogavelmente amarrados à forma de vida que tornou possível este conceito.

Pierre Krebs faz uma abordagem similar da questão de povos e raças. Como um europeu, Krebs tem toda uma vida de interação com aqueles grupos culturais e linguísticos fechados que se entendem como povo. Esses povos hoje se tornam a base das resistências europeias à padronização. Assumindo sua perspectiva, Krebs é capaz de selecionar diversos regimes de verdade - história, humanidade e mesmo raça - e mostrar como seu encaixe epistêmico não apenas determina seu poder criativo (pense: a metodologia sempre gerará os resultados que ela foi feita para produzir) mas também problemas para aqueles de nós que buscam viver em uma sociedade "racial" e não em uma multirracial ou multicultural. No caso da Europa, a "brancura" é difícil de se vender. Ela é americana demais - associada demais à demolição capitalista da singularidade e da particularidade para fazer sentido - ligada epistemicamente à América em excesso, isto é.

A critica de Krebs à raça deriva de uma abordagem epistêmica de nosso problema e de uma leitura correta de Nietzsche. Krebs é consciente, como Heidegger disse, que nomear uma coisa é chamá-la à existência. Se nós nos chamarmos à existência através das verdades epistêmicas do mundo que buscamos destruir, nós seremos finalmente menos bem sucedidos do que presumimos. Pois os conceitos que usamos atualmente para conhecer e criar o homem e o mundo estão inerentemente ligados à episteme que combatemos. Nestes termos, a insistência de Nietzsche de que pensemos diferentemente de nossos inimigos se torna menos abstrata, como é a chamada de Sunic por descolonização mental.

Com a explicação de Lieberman e Wynter sobre a origem e funcionamento do altruísmo acima, nós temos um exemplo decente de como os regimes de verdade liberal operam - e um exemplo irônico, considerando o quão prontamente eles selecionam e escolhem o que atacar na modernidade. Para prosseguirmos em direção a uma conclusão, eu quero contrastar como o liberalismo e o fascismo compreender o conhecimento. Isso também tornará minha posição mais clara.

Como o liberalismo entende o funcionamento do conhecimento?

O conhecimento, como tudo mais na forma liberal de vida, foi castrado e empacotado para consumo de massa. Ele é seguro. Ele é horizontal. Ele é neutro. Ele não tem valor e não tem ligação com o poder, muito menos com regimes de verdade. A suposta neutralidade do conhecimento é aparente quando dizem aos pais que "ler é essencial para o desenvolvimento de seus filhos". Primeiro, desenvolvimento é um dos conceitos favoritos do regime de verdade psicológico liberal. Ele inevitavelmente trará à existência um tipo particular de pessoa - um cujas conquistas serão medidas monetariamente e cuja felicidade será medida por uma falta de agressão, violência ou pensamento excessivamente crítico. Em segundo lugar, ler jamais possui valor neutro. Cada palavra que passa pelos nossos olhos e ouvidos é construída para impactar o fluxo de desejo - para fazer você se mover, e normalmente em direção a um shopping. O liberalismo burguês nos faz acreditar que o conhecimento é neutro, e então nos faz matar uns aos outros por um X-Box. Em resumo, o conhecimento liberal não possui qualquer função além de ser consumido.

O liberalismo herdou o que Nietzsche descreveu como o regime de verdade original: o Deus judaico-cristão. A verdade recebeu uma fonte, e uma tão infalível que questioná-la significaria queimar pela eternidade. A ciência moderna, com seu raciocínio teleológico e poder criativo herético, herdou o trono de Deus como fonte única de verdade. Como Deus, ela também cria seres a sua imagem: frouxos psicologizados, automatos geneticamente determinados, e escurinhos etnicamente relativos mas "mais reais do que brancos".

A ciência que nos dá essas verdades acredita sem ironia que suas metodologias são apolíticas e não relacionadas com os resultados que sempre milagrosamente demonstra que o humano é inerentemente burguês. (Ops, vê quão fácil é escorregar? O humano DEVE por definiçã oser burguês, pois nada pode preexistir a sua conceitualização.) O mais óbvio e egrégio dos ofensores científicos é a História. Pode-se notar que eu jamais escrevo história. Aqueles com um sentido para o "problema da História", aqueles talvez apenas parcialmente epistemicamente resignados, dirão, "a história é o que realmente ocorreu, enquanto a História é aquilo que escrevemos sobre isso", mas eventos não fazem História - apenas historiadores fazem; e a História não é sobre nada senão valoração.

Um exemplo perfeito de como a Nova Direita tenta abordar esse problema epistêmico é o ensaio de Greg Johnson sobre revisionismo do holocausto. Primeiro, o dr. Johnson separa "história de Historiografia", uma separação que eu acho supérflua, sendo motivada, enquanto tal, por uma concepção materialista (burguesa) do processo histórico e fenomenológico. Em segundo lugar, eme brilhantemente aponta que é a narrativa do holocausto que é usada como cassetete moral e não qualquer evento associado a ele; demonstrando assim que os efeitos disciplinares do holocausto podem ser compreendidos melhor como um regime de verdade. Ele torna certas coisas cognoscíveis e outras incognoscíveis.

Finalmente, porque o liberalismo assume que o conhecimento é naturalmente neutro e que a verdade é livre de valores, ele nos faz crer que apenas seus inimigos (como nós) "manipulam" o conhecimento. Essa manipulação eles chamam de propaganda. Na melhor das hipóteses, porém, a propaganda deveria meramente designar o conhecimento, porque o modo como os estudiosos liberais a descrevem é exatamente como o conhecimento opera, ponto. É irônico que o liberalismo acusou o fascismo de propaganda, porque longe longe de propagandizer, ele meramente demandava que seus súditos entendessem que o conhecimento manipula e aceitassem as possibilidades de manipulação.




Como o fascismo entende o funcionamento do conhecimento?

Enquanto o capitalismo e o comunismo, as duas filosofias políticas liberais dominantes, assumem que as bases biológicas e econômicas de ser humano, a igualdade humana e a primazia da busca do conforto (capitalismo) ou produção mecânica (comunismo), o fascismo assume que o humano é uma criatura narrativamente impulsionada que deve ser inspirada ao sacrifício, ao compromisso e à disciplina. Para muitos, ver o comunismo descrito como uma filosofia política liberal pode parecer absurdo. Mas, quando ele é estudado epistemicamente, se descobre que não há nada no comunismo que desafie o homem econômico liberal e sua dissociação da Tradição e da valoração heroica. Longe das estratégicas econômicas de "terceira via", essa é a diferença crucial entre liberalismo e fascismo.

O conhecimento fascistas nunca é neutro. Ele jamais produz nada acidentalmente. E ele jamais vem sem um preço. Derrida cunhou a expressão "lógica de parergonalidade" para nomear o modo pelo qual o establishment de qualquer sistema como um sistema sugere um para além de si; consistindo naquilo que o sistema exclui seja por virtude do que ele não pode compreender ou do que ele proíbe de modo a realizar seus objetivos sistemáticos. Os intelectuais fascistas sob a tutela de Giovanni Gentile utilizaram uma conceitualização e uma crítica da verdade burguesa liberal similares. Gentile, então encarregado da criação de uma pedagogia fascistas - e assim semeando a própria base de uma episteme fascista - estava preocupado com o que a compreensão liberal do conhecimento deixava de fora, e mais importante, o que ela produziu com o que ela incluía. Ele concluiu, como Nietzsche, que a forma burguesa de vida (especificamente anglo-saxônica) estava construindo os limites de possibilidades humanas nos termos mais medíocres e vulgares, assim normalizando e mesmo exaltando a covardia, a ganância e a indiferença.

O fascismo entendeu que o "povo italiano" precisava ser criado, mas apenas em termos muito específicos. De modo a fazê-lo, eles se dispuseram a controlar e dirigir os regimes de verdade da nação. Assim como o sistema burguês liberal de produção da verdade garante que nos valoremos o materialismo e o conforto acima de tudo, o governo fascista buscou limitar o conhecimento disponível àquilo que inspira o povo ao orgulho, à responsabilidade, à identidade concentrada e a um altruísmo estreitamente definido. Através da Romanità, o culto da grandeza romana, os fascistas literalmente tentaram implementar a bela formulação nietzscheana da História: "A História deve falar apenas do grande e único, do modelo a ser emulado". Isso não era propaganda vulgar ou lavagem cerebral, mas ao invés um uso mais nobre e heroico do conhecimento.

Recentemente um leitor do Counter-Currents me admoestou por sujeitar meu filho a uma restrição e direção similares do conhecimento e do desejo. A suposição dele ou dela, eu presumo, era de que "não se pode pensar pelos filhos e se deve deixá-los livres para que se tornem quem eles podem ser". Um entendimento mais burguês do conhecimento eu dificilmente poderia imaginar. Eu tive que assumir enquanto olhava espantado para o site que esta pessoa acreditava que entregar meu filho para o liberalismo e permitir que ele - o porta-estandarte de nossa espécie, o futuro do nome de minha família - vague sem direção de um estacionamento de shopping a outro é algo mais nobre, e mais valioso para nossa espécie, do que ensiná-lo sobre Grécia, Roma, SEUS Deuses, e os milhares sobre milhares de exemplos de coragem, honra, decência, brilhantismo, maestria e irmandade nutridos por nosso povo. Não, você está certo caro leitor, Rua Sésamo e sua moralidade multicultural nos servem muito melhor. Mas eu estou divagando.

"Que extraordinária falta de livros exsudando força heroica em nosso tempo", meditou Nietzsche, enquanto ele ponderava a "luta de conhecimento contra conhecimento". É essa luta na qual devemos estar engajados - não necessariamente a luta para limpar etnicamente a America liberal. Greg Johnson uma vez disse "Em uma sociedade nacionalista branca nós ainda estaremos discutindo sobre legalização das drogas, direitos homossexuais, ambientalismo, aborto, etc..." E ele está certo, a não ser que nós descontruamos epistemicamente a concepção burguesa do humano que torna o Estado-nação moderno possível. Lembre, as verdades, os conceitos que possuem a mais alta autoridade na forma de vida liberal, não são construídos apenas para manter essa forma de vida, mas para criar um certo tipo de humano. Se nós criarmos um Estado liberal totalmente branco, nós não teremos feito absolutamente nada para evitar o declínio de nossa espécie. Porém, se nós pudermos reconceitualizar nossa guerra em termos nietzscheanos, com um entendimento profundo de nosso verdadeiro inimigo, nós ao invés criaremos uma pátria na qual um homem baseado em direitos em guerra com o mundo natural e seus próprios instintos será impensável e incognoscível.

O fascismo foi fundado sobre o pensamento heroico e aristocraticamente radical do Contra-Iluminismo (um termo simpático, mas discutível, para as correntes de pensamento europeu que se opuseram aos vários movimentos em direção à padronização e degradação culminando na modernidade oitocentista) e buscou ressacralizar a vida através de mitos, lendas e narrativas de grandeza, força e honra. Ele criou uma política para reestabelecer a hierarquia, a vontade e uma estimativa mais natural do humano - tudo com uma vontade de criar um novo homem. Em outras palavras, ele estava rompendo com a episteme liberal, não para liberar um mercado, mas para criar um homem mais nobre, heroico e viril. O fascismo compreendeu que todo conhecimento é construído para manipular entendimento e comportamento. Nenhum conhecimento é neutro.

Um famoso cristão disse, "a verdade o libertará". Nós sabemos, porém, que ela apenas o libertará para ser manipulado por outra verdade. Já passou o tempo para que nós "imaginemos o inimaginável", para que transvaloremos os valores liberais, e abracemos completamente o Contra-Iluminismo - o único inimigo epistêmico que o liberalismo já conheceu - e o poder revolucionário da Nova Direita. Como Evola explica, até que uma escolha e comprometimento de tal magnitude sejam feitos, nós podemos ser utilidade para a episteme "democrática, burguesa e humanista" que corresponde "com o advento de um tipo humano inferior", mas nunca para um no qual o homem é natural, hierárquico ou obediente à dureza e exatidão na qual a grandeza prospera.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Dostoyevsky sobre os Judeus

 
Dostoyevsky sobre os Judeus
por William Pierce

Fyodor Dostoyevsky (1821 - 1881) foi o maior escritor de todos os tempos. O filho de um médico de posses modestas, ele teve oportunidade de ter uma educação, e foi treinado como engenheiro. Ele permaneceu próximo ao povo comum da Rússia, porém, nas experiências de sua vida e em sua escrita.

Dostoyevsky foi um patriota fervoroso, mas sua associação com um círculo de escritores radicais levou a sua prisão aos 27 anos de idade. Ele foi subsequentemente sentenciado à morte, perdoado no último minuto, e transportado para a Sibéria, onde ele passou quatro anos em um campo de trabalhos forçados. A isso seguiram-se diversos anos como soldado em uma unidade siberiana do exército russo.

Após seu retorno da Sibéria, Dostoyevsky escreveu diversos romances, incluindo Crime e Castigo (1866), O Idiota (1868), Os Demônios (1871), e Os Irmãos Karamazov (1880), todos os quais tiveram imensa popularidade. Foi seu Diário de um Escritor, porém, publicado em uma série de capítulos no período de 1873 - 1881 que mais explicitamente expressou seu sentimento por seu povo e pela Rússia.

O Diário de Dostoyevsky abordava um grande número de questões de grande interesse para seus compatriotas, demonstrando claramente a visão e sensibilidade que fizeram dele um dos mais amados de todos os grandes escritores que a Rússia produziu. Boris Brasol, que traduziu Diário de um Escritor para o inglês, descreveu a reação do povo russo à morte de Dostoyevsky em 9 de fevereiro de 1881:

"A notícia do falecimento de Dostoyevsky espalhou-se instantaneamente, como uma corrente elétrica, às partes mais remotas da Rússia, e uma onda de lamentos varreu os corações de seu povo entristecido... Multidões enromes foram a seu funeral: homens e mulheres de todas as origens - estadistas de alta hierarquia e prostitutas miseráveis; camponeses analfabetos e distintos homens de letras; oficiais do exército e cientistas eruditos; sacerdotes crédulos e estudantes incrédulos - todos eles estavam lá.

Quem a Rússia enterrou com tão grande reverência? Foi apenas um de seus famosos homens de letras? De fato não: naquele caixão jazia um homem nobre e altivo, um professor prudente, um profeta inspirado cujos pensamentos, como picos de montanhas, estavam sempre apontados para o céu, e que haviam medido as profundezas do coração tremulento do homem com todas as suas lutas, pecatos, e tempestades; seus enigmas, dores, e remorsos; suas lágrimas não vistas e paixões em chamas..."

Na mesma medida em que seu povo amava-o, Dostoyevsky por sua vez amava-o e desprezava seus inimigos e exploradores. Principal entre estes últimos estavam os judeus da Rússia. Na época de Dostoyevsky havia aproximadamente três milhões deles, alguns descendidos dos cazares, uma tribo asiática do sul da Rússia que havia convertido-se ao judaísmo mil anos antes, e alguns que haviam fugido para a Rússia vindos do oeste durante a Idade Média, quando eles foram expulsos a força de cada país na Europa ocidental e central.
Desprezando o trabalho honesto, os judeus haviam fixado-se aos camponeses e artesãos russos como um exército de sanguessugas. Agiotagem, comércio de bebidas álcoolicas, e escravidão branca eram seus meios preferidos de subsistência - e seus métodos para destruir o povo russo.

Tão grande era o ódio russo por seus algozes judaicos que os governantes russos foram obrigados a instituir legislação especial, ao mesmo tempo protegendo os judeus e limitando suas depredações contra o povo russo. Entre estas estava a proibição do assentamento de judeus na Rússia central; eles estavam restritos às regiões do oeste e sudoeste da Rússia (a "Zona de Assentamento") onde eles haviam estado mais concentrados à época de Catarina a Grande havia proclamado a proibição, no século XVIII.

Isso, é claro, foi considerado pelos judeus como "perseguição", e foi sua incessante lamentação por não terem permissão para parasitarem o povo da Rússia central que primeiro levou Dostoyevsky escrever sobre a Questão Judaica. Na parte de seu Diário publicada em março de 1877, o escritor afirmou:

"...Eu sei que em todo o mundo certamente não há outro povo que reclamaria tanto sobre sua sorte, incessantemente, após cada passo e palavra - sobre sua humilhação, seu sofrimento, seu martírio. Poder-se-ia pensar até que não são eles que reinam na Europa, que dirigem lá e cá as bolsas de valores e, portanto, a política, os negócios domésticos, a moralidade dos Estados".

Dostoyevsky, que havia tornado-se familiarizado com os judeus e suas atitudes pessoas em relação a seus hospedeiros russos, pela primeira vez como criança na pequena propriedade de seu pai, onde ele observou os negócios dos judeus com os camponeses locais, e depois na prisão, em que ele notou o comportamento arredio dos prisioneiros judeus em relação aos prisioneiros russos, seguiu especulando sobre o que aconteceria aos russos se os judeus eventualmente tivessem o chicote em mãos:
"...Agora, como seria se na Rússia não houvesse três milhões de judeus, mas três milhões de russos, e houvesse oito milhões de judeus - bem, em que eles converteriam os russos e como eles os tratariam? Permitiram eles adquirir direitos iguais? Permitiriam eles praticar sua religião livremente em seu meio? Não os converteriam em escravos? Pior do que isso: não os esfolariam? Não os exterminariam até o último homem, a ponto do extermínio total, como eles costumavam fazer com estrangeiros nos tempos antigos, durante sua história?"

A especulação acabou sendo amargamente profética, pois apenas pouco mais de quatro décadas depois, comissários judeus sanguinários, que eram a maioria dos líderes bolcheviques, estavam supervisionando o extermínio de russos aos milhões.

Dostoyevsky identificou corretamente o segredo da força dos judeus - de fato, de sua própria sobrevivência por um período de mais de quarenta séculos - como sua exclusividade, seua perspectiva mental profundamente enraizada sobre todo o mundo não judaico como uma coisa estranha, inferior, e hostil. Essa perspectiva levou os judeus a sempre pensarem sobre si mesmos como possuindo uma situação ou status especial. Mesmo quando eles estavam tentando insinuantemente convencer os não judeus de que os judeus eram como todo mundo, eles mantinham sua atitude interio de um povo que constituíam uma comunidade especial dentro da comunidade gentil, mais ampla. Dostoyevsky apontou:

"...É possível definir, pelo menos, certos sintomas desse estado dentro do estado - ainda que apenas externamente. Esses sintomas são: alienação e isolação na questão do dogma religioso; a impossibilidade de fusão; crença de que no mundo só existe uma única entidade nacional, a judaica, enquanto, ainda que outras entidades existam, não obstante, deve-se presumir que elas são, como se fossem, inexistentes. 'Afaste-se da família das nações e forme ua própria entidade, e então vós conehcereis que daí em diante vós sois os únicos perante Deus; exterminai o resto, ou tornai-os escravos. Tenhais fé na conquista de todo o mundo; adirais à crença de que tudo submeter-se-á a vós. Abominai estritamente a tudo, e não tenhais intercurso com quem seja em vosso modo de vida. E mesmo quando vós haveis perdido a terra, vossa individualidade política, mesmo quando vós fostes dispersados por toda a face da terra, entre todas as nações - não vos importeis, tenhais fé em tudo que vos foi prometido, uma vez e para todo o sempre; acreditai que tudo isso passará, e enquanto isso vivei, odiai, unificai, e explorai - e aguardai, aguardai...'"

É de surpreender que, ainda que virtualmente todo americano com educação secundária tenha lido ou Crime e Castigo ou Os Irmãos Karamazov (ou ambos), seu Diário de um Escritor tenha sido silenciosamente consignado ao esquecimento pelo establishment educacional e editorial nesse país? A única edição de Diário de um Escritor atualmente listada é uma feita por uma pequena editora especializada (Octagon Books) para venda a bibliotecas e com o proibitivo preço de $47,50. Esse preço deve ser o suficiente para mantar esse livro fora das mãos de leitores americanos curiosos!
Aqueles felizardos o suficiente para conseguirem uma cópia do livro podem ler ainda um grande número de penetrantes comentários sobre o comportamento e atitude dos judeus na Rússia em relação ao povo russo durante o século XIX. Dostoyevsky especialmente condenou a exploração dos pobres, ignorantes, e indefesos camponeses russos pelos vorazmente gananciosos e absolutamente desalmados judeus. Por exemplo:

"Assim, a judiaria está prosperando precisamente lá onde o povo ainda é ignorante, ou não é livre, ou é economicamente atrasado. É lá que a judiaria possui caminho livre. E ao invés de elevar, por sua influência, o nível de educação, ao invés de ampliar o conhecimento, de gerar aptidão econômica na população nativa - ao invés disso o judeu, onde ele tenha assentado, apenas humilhou e degenerou ainda mais o povo; lá a humanidade foi ainda mais depreciada e o nível educacional caiu ainda mais baixo; lá a miséria inescapável e desumana, e com ela o desespero, espalhou-se ainda mais vergonhosamente. Perguntem à população nativa em nossas regiões fronteiriças: O que move o judeu - o que o tem movido por séculos? Você receberá uma resposta unânime: impiedade. 'Ele tem sido movido por tantos séculos apenas impiedade em relação a nós, apenas pela sede por nosso suor e sangue'.

E, em verdade, toda a atividade dos judeus nessas regiões fronteiriças nossas consistiu em tornar a população nativa o mais inescapavelmente dependente possível, tirando vantagem das leis locais. Eles sempre conseguiram estar em termos amigáveis com aqueles de quem o povo depende. Aponte a qualquer tribo entre os estrangeiros na Rússia que poderia rivalizar com o judeu por sua influência nefasta nessa conexão! Você não encontrará qualquer outra tribo. Nessa questão o judeu preserva toda sua originalidade em comparação com outros estrangeiros russos, e é claro, a razão para isso é este seu estado dentro do estado, este espírito do qual emana especialmente a impiedade por tudo que não é judeu, com desrespeito por qualquer povo e tribo, por cada criatura humana que não é um judeu...
Agora, e se de algum jeito, por alguma razão, nossa comuna rural [sistema institucionalizado da sociedade campesina russa] fosse desintegrada, aquela comuna que está protegendo nosso camponês nativo contra tantos males; e se, falando diretamente, o judeu e toda sua kehillah [judiaria organizada] caísem sobre o campesinato liberto - tão inexperiente, tão incapaz de resistir a tentações, e que até agora tem sido protegido precisamente pela comuna? Ora, obviamente, instantaneamente este seria seu fim; toda sua propriedade, toda sua força, no dia seguinte cairia sob o poder do judeu, e então teria início uma era comparável não apenas com a era da servidão, mas até mesmo com a do domínio tártaro".

Novamente, quão tragicamente profético!

quarta-feira, 6 de julho de 2016

O Antissemitismo de Evola

 
O Antissemitismo de Evola
por Michael O'Meara

Quand Julius Evola, um dos principais críticos da civilização judaico-liberal do século XX, desenvolveu sua teoria racial durante a década de 30, a principal inspiração para seu pensamento antissemita foram Os Protocolos dos Sabios de Sião.

Supostamente roubados de uma Loja secreta, os Protocolos eram um relatório de vinte e quatro encontros secretos realizados pelos líderes da judiaria internacional, conforme eles tentavam desenvolver um plano para a dominação mundial.

Organizações judaicas muito naturalmente fizeram o possível para desacreditar os Protocolos. Sua iniciativa mais famosa resultou em uma ação judicial por uma corte de Berna em 1933 contra um nacionalista suíço que havia distribuído o documento.

A decisão da corte de que os Protocolos eram uma fraude, Evola pensou, era irrelevante. Pois aos seus olhos a questão da autenticidade dos Protocolos era "secundária em relação ao problema muito mais sério e essencial de sua veracidade" - pois mesmo se não foram realmente escritos pelos "Sábios" ou baseados em um plano existente, o documento em sua opinião era de importância sem paralelos em chamar a atenção, em primeiro lugar, para a Questão Judaica, e, mais importantemente, às forças subversivas atuando na história recente.

Nesse espírito, ele afirmou que os Protocolos lançavam uma nova luz sobre a campanha dos judeus contra as tradições, aristocracias, símbolos, e valores transcendentes, da Europa, especialmente na medida em que essa campanha promovia ideologias que subvertiam o senso de ordem do homem branco - ideologias como capitalismo, cosmopolitanismo, igualitarismo, materialismo, feminismo, etc.

Inspirados pela importação subversiva dessas ideologias, os judeus supostamente "acentuam os aspectos negativos, abusos, e injustiças" da Europa tradicional. Para esse fim, eles "espalham os germes de uma mentalidade crítica e racionalista cujo objetivo é corromper o cimento ético interno" das hierarquias organicamente estabelecidas; eles objetivam dominar os principais centros de ensino oficial, controlar a opinião pública através de seu monopólio da mídia, minar a vida familiar, provocar derrotismo social e moral "despertando desconfiança e rumos em relação ao clero" e outros representantes da sociedade branca. E, enfim, eles reduzem todos os interesses a interesses econômico-financeiros substituindo autoridades antigas por cálculos matemáticos e imperativos materialistas.

O curso da história europeia moderna, Evola afirmou, parecia "alcançar os objetivos dispostos nos Protocolos". Pois uma vez que a campanha dos "Sábios" conseguiu reduzir a raça branca a uma "massa de seres sem tradição e força interior", "a antiga promessa do regnum do Povo Eleito" tornou-se realizável.

Mas se os judeus para Evola eram uma das principais forças de subversão no mundo moderno, ele separava-se da companhia dos "antissemitas vulgares" que viam judeus em todo lugar, um tipo de deus ex machina, responsável por todos os males do mundo. Esse tipo de reducionismo, ele pensava, era auto-desmerecedor. É possível reconhecer "o papel pernicioso que o judeu desempenhou na história da civilização", ele escreve, mas isso "não deve prejudicar uma investigação mais profunda que pode fazer com que tenhamos consciência de forças para as quais o judaísmo possa ter sido...apenas o instrumento".

Assim, enquanto o encontro europeu com Judá tem maias de dois mil anos de história, foi, ele afirmou, apenas em tempos recentes, com o advento das sociedades liberal-capitalistas e particularmente com a ascensão da América a potência mundial, que os judeus efetivamente passaram a dominar os territórios brancos.

Apesar de Evola afirmar tanto a legitimidade como a necessidade do antissemitismo, ao mesmo tempo ele rejeitava seu "paroquialismo", seus princípios muitas vezes arbitrários, e sua carência de "um ponto de partida realmente geral".
O antissemitismo vulgar que faz dos judeus responsáveis por cada forma de subversão era, em sua opinião, uma admissão humilhante de inferioridade. Os judeus eram mais fortes e mais capazes, ele afirmava, apenas quando o homem branco degenerava. Isso é, apenas quando ele não era mais ele mesmo e enfraquecido desse modo ele tornava-se vulnerável a eles, pois seu poder veio da exploração das forças degeneradas que já atacavam a existência europeia.

Por essa razão, Evola considerou que as forças subversivas alimentadas pelo capitalismo liberal e exploradas pelos judeus eram "apenas os últimos elos em uma corrente de causas que são impensáveis sem antecedentes tais como, por exemplo, o humanismo renascentista, a reforma protestante, e a revolução francesa, todas as quais são fenômenos que ninguém seriamente atribuiria a uma conspiração judaica".

O poder judaico, em uma palavra, seguiu um processo histórico maior de "decomposição e involução", que desarianizou o homem branco e preparou o caminho para o regnum dos judeus.

O antissemitismo, consequentemente, não apenas tende a fazer dos judeus um bode expiatório para as falhas da civilização moderna, como também oculta uma luta mais geral contra forças desarianizantes - contra seu "racionalismo mecanicista, contra o iluminismo secular, e uma visão-de-mundo baseado em números e quantidade".

Apesar de enfatizar que os judeus não eram a única causa para o ímpeto anti-branco da modernidade, Evola não obstante aceitava que era mais fácil combater forças pessoais (judeus) do que abstrações (modernidade) e que a figura do judeu onipotente era um símbolo efetivo em mobilizar resistência contra as forças anti-arianas.

Como Evola acreditava que havia sido a destruição de "nossa antiga Europa imperial, aristocrática, e espiritual" que tornava a dominação judaica possível, era apenas retornando aos princípios dessa Europa que ele via qualquer perspectiva de resistir efetivamente à ordem demônica nascida de sua dominação.

A luta contra as forças desarianizadoras engloba, então, não uma mera luta racial contra a dominação estrangeira, mas também uma luta espiritual para reclamar a identidade original - uma luta espiritual que não tem qualquer relação com abstrações fantasiosas ou escapismos místicos, mas sim uma luta encarada como ação heróica fiel à essência ariana.

Que essência é essa?

Virtualmente cada fase história no encontro do homem branco com Judá despertou as forças do antissemitismo. Para o judeu isso é um sinal do caráter inerentemente patológico da sociedade gentia; para Evola sugeria que tudo "conectado com o semitismo, e, acima de tudo, com judeus, aparecia como peculiarmente repulsivo aos povos da raça branca". Este é o caso não apenas porque os interesses judaicos se chocam com os interesses brancos, mas porque eles, como um povo definido pela Lei Talmúdica, ofende o espírito daquela "civilização primordial comum" da qual todas as civilizações brancas históricas e mais recentes surgiram.

Era essa oposição espiritual primordial entre Judeu e Ariano, Evola afirmava, que era a raiz do antissemitismo.

Pegando termos tirados de J.J. Bachofen, Evola caracterizava o espírito ariano como solar e viril, o espírito judaico como lunar e feminino.

"Arya", a raíz de "ariano", Evola notou, vem de uma palavra do sânscrito que designa "nobres", pois "a partir da massa de seres comuns e medíocres emergem homens 'de raça' no sentido de seres superiores, 'nobres'".

A expressão mais elevada do espírito racial aristocrático ariano assumiu a forma da "atitude afirmativa frente ao divino" do guerreiro - espírito sendo aquilo que "em tempos melhores era chamado 'raça' pelas pessoas bem nascidas: isto é, franqueza, unidade interior, caráter, dignidade, virilidade, sensibilidade imediata por todos os valores que estão no centro de toda grandeza humana e que, como eles estão situados muito acima da realidade fortuita, governam essa mesma realidade".

Por trás das inúmeras referências mitológicas e simbólicas ao céu encontradas nas várias culturas indo-europeias, todas as quais sustentavam sistemas de valores orientados para os céus transcendentes, ali prevalecia um senso de "virilidade incorpórea da luz".

O solar é de fato a luz em si, diferentemente do lunar que ilumina apenas quando reflete e absorve luz vinda de fora.

De modo relacionado, os antigos cultos pagãos europeus todos acreditavam em uma raça de heróis divinos. Nesse espírito, eles viam a si mesmos como os "eminentes portadores" das forças universais associadas com a "glória solar" desses heróis - como expressado em princípios de liberdade e personalidade, lealdade e honra.

Similarmente, o espírito ariano foi realizado não nas obras de monges e rabinos - mas na ação, proeminentemente nos conflitos que o guerreiro travava contra os inimigos que ele tinha que enfrentar, em si mesmo e em seu mundo.

A partir disso, Evola afirmou que "o ideal ariano característico era mais monárquico do que sacerdotal, mas o ideal de uma afirmação transfiguradora do que a idéia sacerdotal de abandono religioso".

Diferentemente da "servilidade devota e suplicante" característica das religiões abraâmicas, a relação ariana com o diino era ativa e afirmativa.

"Eram os heróis, mais do que os santos" que o ariano via como alcançando "os locais mais elevados e privilegiados da imortalidade". Sua busca por conhecimento e sabedoria, seguia-se, eram encarada como uma conquista viril, heróica - não algo "pecaminoso" como a tentativa do Adão bíblico de comer da árvore divina.

Em contraste à solaridade ariana, Evola afirmava que o espírito lunar dos judeus nega a síntese entre espiritualidade e virilidade, enfatizando tanto aquilo que é grosseiramente materialista e sensual de um lado, e escapista e contemplativo de outro. O mammonismo e o racionalismo, assim, dominam seu relacionamento com o mundo, do mesmo modo que o corpo para eles não é um instrumento do espírito, mas meramente carne e matéria, algo para ser estimulado e agradado.

A concepção dualista de corpo e alma nascida do espírito judaico, cuja contemplatividade abstrata e fatalista é "desprovida de qualquer interesse na afirmação heróica e sobrenatural da personalidade", e não pode, como resultado, deixar de nivelar os valores superiores associados com a espiritualidade olímpica ariana.

No âmbito cultural isso leva os judeus "a falsificar, tornar ridículo, representar como ilusório e injusto" aquilo que é distinto aos povos de origem ariana e que resiste ao "aspecto animal, mundano ou sujo das coisas". "Degradar, poluir, e corromper tudo que é grande e nobre, e despertar ao mesmo tempo tendências obscuras, instintivas, sexuais, pré-pessoais" que solapam seus valores são, em verdade, como uma segunda natureza para eles.

A investida crítica dos judeus contra os valores brancos também é a chave para seu domínio, pois através das infiltrações oportunistas que lhes permitem controlar as instituições governamentais, eles buscam (geralmente em nome da democracia, da humanidade, e da ciência) derrubar todos os princípios e ordens historicamente estabelecidas que obstruem seus desígnios.

Onde quer que, então, a "perspectiva viril, heróica, triunfante do Divino desaparece, para dar lugar à exaltação do pathos de uma atitude servil, despersonalizante, turva e messiânica frente ao espírito", aí a judiaria inevitavelmente triunfa sobre a arianidade.

Para enfrentar as forças que desnaturalizam o homem branco, não é o bastante, portanto, tomar meias medidas infundidas com o espírito semítico alienígena do mundo moderno.

A maioria dos antissemitas, porém, faz exatamente isso, vendo a arianidade como um semitismo invertido, e não como um autêntico antissemitismo. Para ser completamente antissemita, Evoli disse, não é possível estabelecer compromissos com as idéias e princípios contra os quais a raça branca luta. É preciso lutar como ariano:

"É preciso ser radical. Valores devem ser evocados novamente que possam seriamente ser chamados de arianos, e não meramente com base em conceitos vagos e unilaterais imbuídos de materialismo biológico. Valores de uma espiritualidade solar olímpica, de um classicismo de clareza e força controlada, de um novo amor pela diferente e pela personalidade livre, e, ao mesmo tempo, por hierarquia e universalidade que uma estirpe recém possuída de uma habilidade viril de ascender da 'vida' para o 'mais-que-a-vida' possa criar contra um mundo despedaçado, sem paz e princípios verdadeiros".

O antissemitismo de Evola era fundamentalmente um derivado de sua oposição "tradicionalista" à modernidade liberal e seu assanto ao espírito ariano, tanto quanto seu apoio ao nacionalismo racial nas décadas de 30 e 40 era baseado menos em sua crença em suas várias manifestações ideológicas do que em sua resistência aos impulsos materialistas e judaizantes do Terceiro Estado.
Porém não muito após 1945, uma vez que as forças do Terceiro Estado haviam esmagado os últimos resquícios da Europa Tradicional, os judeus deixaram de ser um alvo da crítica tradicionalista de Evola. Naquele mesmo ponto, então, em que as forças lunares tornaram-se triunfantes, Evola pareceu abandonar seu antissemitismo.

Por que?

Parte da razão tem relação com a impossibilidade de organizar uma resistência efetiva à ordem judaico-liberal no período pós-guerra. Uma vez que a Europa caiu sob o jugo das potências extra-europeias e cada vestígio de seu passado heróico caiu em ruínas, tudo que se poderia fazer nessa nova idade de trevas era garantir que aqueles poucos homens ainda de pé seriam capazes de impedir que as chamas fraquejantes do espírito ariano fossem inteiramente extintas.

Como ele escreveu em 1948, "eu não vejo nada a não ser um mundo em ruínas, onde um tipo de trincheira é possível apenas nas catacumbas". Para sustentar essa resistência subterrânea, era então necessário adotar uma atitude estóica, indiferente, frente as bizarrices frenéticas do que havia se tornado um mundo totalmente judaizado.

Mas havia outra razão para a diminuição de seu interesse na Questão Judaica.

Em sua "autobiografia espiritual", O Caminho do Cinabro (1972), Evola escreve que após a Segunda Guerra Mundial ele considerou "absurdo" continuar a enfatizar a superioridade do homem branco sobre o judeu "porque o comportamento negativo tradicionalmente atribuído aoas judeus havia agora se tornado o da maioria dos 'arianos'". Isto é, em uma era em que o espírito judaico da modernidade liberal havia prevalecido e a maioria dos brancos havia sucumbido a ele, era futil exaltar valores arianos, pois os brancos, supostos herdeiros dos arianos, agora não se comportavam diferente de judeus.

Por essa razão, eu creio que sua postura pós-guerra foi menos um abandono de sua crítica antissemita prévia do que um reconhecimento de que as forças subversivas (das quais os judeus eram a corporificação mais conspícua) haviam se tornado hegemônicas e que aqueles poucos homens brancos que não haviam sucumbido não tinham escolha a não ser "cavalgar o tigre" até que ele caísse de exaustão - o tigre sendo as potências pervertidas que haviam passado a governar o mundo.

Na medida em que o século XXI anuncia uma nova ordem de batalha, o estoicismo apolítico de Evola não pode mais ser nossa posição hoje.

Mas não obstante este é um estoicismo que aponta para o que está em jogo nas guerras que teremos que travar se for para que a raça branca tenha um futuro - pois o seu sangue não sobreviverá se ele profanar o espírito que faz dele quem ele é.

domingo, 3 de julho de 2016

Carl Schmitt - Breve Introdução

 
Carl Schmitt - Breve Introdução
por Paul Gottfried

Há duas ideias levantadas no trabalho de Schmitt que merecem atenção na nossa sociedade multicultural decretada pelas “elites”. Em «The Concept of the Political» (um trabalho que primeiramente surgiu em 1927 e que foi depois publicado em inglês, em 1976, pela Universidade de Rutgers) Schmitt explica que a distinção amigo/inimigo é uma característica necessária de todas as comunidades políticas. De facto, o que define o “político” por oposição a outras actividades humanas é a intensidade de sentimento em relação a amigos e inimigos, ou em relação aos nossos e àqueles percebidos como forasteiros hostis.

Este sentimento não deixa de existir na ausência de Estados-nação. Schmitt argumenta que a distinção amigo/inimigo caracterizara as antigas comunidades e persistiria provavelmente no ambiente cada vez mais ideológico no qual os Estados-nação fossem enfraquecendo. O sistema europeu de Estados, a começar no final da guerra dos 30 anos, havia de facto prestado um serviço de controlo sobre o “político”.

O subsequente ataque a esse sistema de Estados-nação, com os seus específicos e limitados interesses geopolíticos, tornou o mundo ocidental mais fervorosamente político, um ponto que Schmitt desenvolve no seu magnum opus do pós-guerra «Nomos der Erde» (Nomos da Terra). A partir da Revolução Francesa cresceu o número de guerras travadas em nome de doutrinas morais – mais recentemente clamando a defesa dos “direitos humanos”. Essa tendência replicou os erros da idade das guerras religiosas. Transformou a força armada de meio para alcançar objectivos territoriais limitados, quando os recursos diplomáticos falham, numa cruzada pelo bem universal contra um inimigo diabolizado.

Uma ideia relacionada tratada por Schmitt é a tendência em direcção a um Estado Universal (a Nova Ordem Global?). Essa tendência parecia proximamente ligada à hegemonia anglo-americana, um tema que Schmitt abordou nos seus comentários durante e depois da II Guerra Mundial.

Os historiadores germânicos, no início do século XX, haviam tipicamente feito comparações entre, de um lado, a Alemanha e Esparta e, do outro lado, a Inglaterra (mais tarde os EUA) e Atenas – entre aquilo que viam como sendo potências terrestres disciplinadas e potências mercantis, expansionistas e navais. Os poderes anglo-americanos, que dependiam da capacidade naval, tinham um sentido de limitação territorial menor do que os Estados terrestres. As potências marítimas haviam evoluído para impérios, desde os atenienses.

Mas embora esta comparação seja controversa ele também levanta o ponto mais significativo: os americanos aspiram a um Estado Mundial porque reclamam validade universal para o seu modo de vida. Eles vêem a democracia liberal como algo que estão moralmente obrigados a exportar. São conduzidos pela ideologia como pela natureza do seu poder em direcção a uma distinção amigo/inimigo universal.

Embora nos anos 40 e 50 Schmitt esperasse que o devastado sistema de Estados-nação fosse substituído por um novo pluralismo político, a criação de esferas de controlo por parte de poderes regionais, ele também duvidava que isto resultasse. O período do pós-guerra trouxe a polarização entre o bloco comunista e os anti-comunistas, liderados pelos EUA. Schmitt claramente temia e detestava os comunistas mas também desconfiava do lado americano, por razões pessoais e analíticas. De Setembro de 1945 até Maio de 1947 Schmitt havia sido prisioneiro das forças de ocupação americanas na Alemanha. Embora libertado com base no facto de não ter desempenhado significativo papel enquanto ideólogo nazi, ficou traumatizado pela experiência. Durante o cativeiro fora-lhe “pedido” que desse provas da sua crença na democracia liberal. Ao contrário dos soviéticos, em cujas zonas de ocupação havia residido por um tempo, os americanos pareciam ser ideologicamente motivados e não meros conquistadores vingativos.

Schmitt acabou por recear o globalismo americano mais que o seu congénere soviético, que considerou ser despotismo militar primitivo aliado a uma obsessão intelectual ocidental. No final recebeu com agrado a bipolaridade da guerra-fria, vendo no poder soviético um meio de limitar as cruzadas americana pelos “direitos humanos”.

Um conhecedor crítico do expansionismo americano, Schmitt compreendeu o agora indisfarçável carácter ideológico da política americana.

No período posterior à guerra-fria, apesar da irritação que causa entre os imperialistas americanos, as suas análises parecem mais actuais e relevantes que nunca.