quinta-feira, 23 de junho de 2016

O Fascismo e a Ideia Política Tradicional (Julius Evola)

Doutrina O Fascismo e a Ideia Política Tradicional (Julius Evola)
http://boletimevoliano.causanacional.net/BE01.pdf

É bem sabido que “neofascista” é a palavra agora utilizada, tanto pelos meios democráticos como comunistas, para designar aqueles que, em Itália e noutros locais, se mantêm de pé e no combate por uma ideia política mais elevada. Além disso, e de certa maneira, esta designação foi aceite por estes próprios grupos. Foi assim criada uma situação não desprovida de equívocos e perigos que frequentemente joga a favor do adversário. Daí, entre outras coisas, o facto de se falar, de maneira obviamente pejorativa, de “nostalgias”. De facto, o papel desempenhado, entre as forças que acabamos de mencionar, pelo que se pode chamar de mitologiza- ção é óbvio: o Fascismo e Mussolini foram transformados num mito, e aquilo que é focado, de maneira geral, é uma realidade historicamente condicionada bem como o homem que foi o seu centro, ao invés de uma ideia que pode ser válida em si e por si, independentemente destes condicionalismos, uma ideia, portanto, que não pode ser confinada ao passado como objecto de “nostalgia” mais ou menos néscia, mas que pelo contrário continua hoje bem definida e retém todo o seu significado. Sejamos bastante claros a este respeito: contra os detractores, os que mudam de opinião e as medíocres figuras morais dos nossos tempos, nós não repudiamos o passado, antes reconhecemos todo o valor que o período Fascista teve na história italiana, bem como aquele que o período Nacional-Socialista teve na da Alemanha. No entanto, Mussolini não pode ser ressuscitado, nem podem ser restauradas as premissas gerais que tornaram possível o advento do Fascismo histórico e o seu desenvolvimento. Temos de tornar claro que não nos podemos contentar com este penoso reconhecimento, e que meras nostalgias e mitologizações não nos servirão no cumprimento das tarefas que somos hoje chamados a assumir. Como dissemos, é necessário não dar armas aos adversários. O que caracteriza sempre a “mitologização” é a “idealiza- ção”, ou seja, a acentuação do positivo e a eliminação do negativo relativamente ao objecto. Quem quer que, ao contrário dos “neofascistas” da nova geração, tenha vivido durante o Fascismo e, portanto, tenha tido experiência directa dos homens e do sistema, sabe que nem tudo foi ideal. Enquanto o Fascismo existiu, e uma vez que era um movimento de reconstrução em marcha e com possibilidades ainda não esgotadas, não era correcto criticá-lo para além de um determinado ponto. Quem quer que, como nós, apoiando uma ordem de ideias coincidente apenas em parte com o Fascismo (e o Nacional-Socialismo), tenha colaborado com estes movimentos apesar da consciência precisa dos seus aspectos incompletos ou desviados, fê-lo contando precisamente com a possibilidade de desenvolvimentos futuros que esperançosamente os teriam eliminado. Mas agora que o Fascismo se encontra ultrapassado enquanto realidade histórica, a nossa atitude já não pode ser a mesma. Em vez da “idealização” própria do “mito”, torna-se necessário um trabaDoutrina O Fascismo e a Ideia Política Tradicional * Este texto foi traduzido a partir de uma versão em inglês. O editor tem consciência dos riscos inerentes a uma tradução em “segunda-mão”, mas, entre uma tradução em “segunda-mão” e tradução nenhuma, a escolha torna-se óbvia. Qualquer imprecisão ou atabalhoamento do texto fica a dever-se ao tradutor e nunca ao autor do texto. Boletim Evoliano 8 www.boletimevoliano.pt.vu lho de diferenciação: para distinguir o positivo do negativo, para reassumir, para desenvolver adequadamente e afirmar apenas o positivo. Por outro lado, portanto, os epí- tetos “fascista” e “neofascista” não devem ser adoptados indiscriminadamente. Devemos apoiar e identificar-nos apenas com o que o Fascismo teve de positivo, e não com aquilo que o não foi. Só desta maneira poderemos evitar ser facilmente manobrados pelos adversá- rios, que consideram naturalmente conveniente, por meio de um processo oposto ao da “idealização”, construir um mito oposto do Fascismo, sublinhado apenas os seus aspectos problemáticos de forma a denegrir e lançar o opróbrio sobre a sua totalidade. Este processo, notemos de passagem, porque não nos preocupa aqui directamente, foi aplicado ainda com maior sucesso na Alemanha do que na Itália: é incrível como a jovem geração alemã tem seguido da forma mais passiva aqueles que lhe apresentam a totalidade do Nacional-Socialismo como um conjunto de horrores e aberrações, dando a tudo o mesmo valor, visto que, no caso alemão, a mencionada diferenciação, devido às relações do nazismo com uma tradição política que lhe era superior e anterior, deveria ter sido muito mais fácil do que em Itália. Além disso, e para lá dos seus atributos negativos e positivos claramente identificáveis, e devido ao seu carácter de movimentos de restauração ou reconstrução ainda em marcha que acabamos de mencionar, estas correntes nacionais continham várias possibilidades e tendências pouco diferenciadas, e apenas o futuro poderia mostrar quais teriam prevalecido, se a catástrofe militar e o enfraquecimento dos povos não tivesse travado este processo. A unidade geral em Itália e na Alemanha não excluiu tensões de alguma importância no seio dos seus sistemas. Isto demonstra a ilegitimidade da “mitologização” e a necessidade de selectividade: o Fascismo não pode ser aceite indiferentemente, como um todo. Temos de saber claramente de que é que nos estamos a declarar partidários, de entre as várias possibilidades que o Fascismo, como qualquer movimento análogo do passado, continha duma maneira ainda indiferenciada. Além disso, se pensarmos nos dois Fascismos, no do Ventennio e no da República Social, unidos, certamente, por uma continuidade de fé e combattentismo(1), mas muito diferentes em termos de doutrina política devido à força fatal das circunstâncias, a necessidade de escolha tornar-se-á ainda mais óbvia, bem como o facto de que o “mito” apenas leva a mal-entendidos e perigosas confusões. Uma última consideração, mais importante de que todas as que acabamos de expor: aqueles que pretendem hoje travar a boa luta não devem dar a impressão de que são como os que tendo nascido depois dos eventos que idealizam, e portanto sem experiência directa deles, consideram que apenas o passado contém a verdade absoluta. Aqui, tanto o perigo do “mito” como os equívocos dos que falam de ânimo leve do “fascismo” e não têm qualquer problema em ser chamados pura e simplesmente “fascistas” torna-se claro. Existe, basicamente, uma diferença fundamental entre aqueles que têm o Fascismo (ou o Nacional-Socialismo no caso alemão, ou movimentos semelhantes como a Falange Espanhola ou o Rexismo belga) como o seu único ponto de referência, fazendo o seu horizonte político e doutrinal começar e acabar nele, e os que, pelo contrário, consideram esses movimentos como formas particulares nas quais ideias e princípios de uma tradição prévia se re-manifestaram e actuaram. Estes últimos aceitam estes movimentos não como bases em si mesmos e por si mesmos ou meramente em termos do que tiveram de original e “revolucionário” em sentido estrito, mas pelo contrário na medida em que encarnaram estas ideias e estes princípios à sua própria maneira específica, mais ou menos imperfeitamente, adaptando-os a circunstâncias diferentes. Assumir esta segunda atitude significa, obviamente, não só reconhecer ainda mais a necessidade da supracitada diferenciação, mas também declarar-se a favor da direcção precisa em que ela deve ser feita. Isto poderia consti- 1. Espírito de irmandade e solidariedade que ligava os ex-combatentes italianos após a tragédia da I Guerra Mundial (“combattentistico” é o adjectivo de “combattentismo”). [N. do T.] www.boletimevoliano.pt.vu 9 Boletim Evoliano tuir o teste fundamental de voca- ções. Um grande espírito do século passado, o estadista católico e espanhol Donoso Cortès, falou dos tempos que se aproximavam da Europa como tempos “das nega- ções absolutas e das asserções soberanas”. Esses tempos chegaram. Um radicalismo de direita tem de se opor ao radicalismo de esquerda. Mas, mais do que isso, não pode haver hesitações sobre o sentido da diferenciação que mencionamos: para lá do “mito”, para lá da nostalgia, para lá do luto pelo grande homem, o Fascismo pode ser usado como uma base apenas na medida em que foi uma manifestação e reassumpção da grande tradição política europeia, daquilo que agiu de maneira formativa no plano espiritual, político e social antes da Revolução Francesa, antes do advento do Terceiro Estado e do mundo das massas, antes da burguesia e a Revolução Industrial e todas as suas consequências e o conjunto de acções e reacções congruentes que levaram a Europa à sua actual prostração, a tudo o que ameaça a destruição definitiva do pouco que ainda resta da civilização europeia e da raça branca. A tarefa histórica dos homens competentes actualmente seria assumir como ponto de partida os elementos dessa herança que se manifestaram de novo no Fascismo, e completá-los de maneira a libertá-los das inflexões desviantes ou mesmo pervertidas que se associaram a eles e que eram em alguma medida os efeitos do mal que combatiam. Infelizmente, no entanto, não vimos ainda sequer o início deste processo. Se, entre aqueles que se mantêm de pé, existe uma certa unanimidade sobre o que deve ser negado e combatido, a contraparte positiva é fraca e efémera, e o radicalismo de uma ideia correctamente formulada e consistentemente desenvolvida é ainda inexistente. Durante todos estes anos do pós-guerra, exceptuando as manifestações lealistas ou nostálgicas e as actividades de vagos partidos políticos oposicionistas que demonstram muito fraca unidade interna — em Itália, o MSI(2) é tão fragmentado como os partidos monarquistas — nenhum livro — nem um! — foi publicado que, deixando de lado os mitos do homem e do sistema, se tenha preocupado em dar, em termos de uma doutrina política clara e de uma doutrina geral do Estado anti-democrático e anti-socialista, sãos pontos de referência. É este o vacuum ainda hoje existente do lado dos grupos “nacionais”, não importa quão bem intencionados. Tendo explicado a gravidade do problema, seria frívolo fingirmos que o podemos resolver, neste plano, com o que é possível num curto ensaio. O que se segue deve ser portanto considerado como um simples esboço, limitado a uns poucos pontos essenciais, necessitando, portanto, de ser completado por uma muito mais vasta, mais detalhada e documentada exposição(3). Aqui, apresentamos um mero excursus, destinado a fixar algumas ideias fundamentais presentes no Fascismo que podem ser melhoradas de um ponto de vista superior, tradicional, e que, uma vez separadas do resto e desenvolvidas, podem ser usadas como o fundamento de um verdadeiro radicalismo de direita(4) . Ideia do Estado Ideia do Estado A origem do Fascismo encontra-se numa reacção, alimentada principalmente pelo elemento combattentista, contra a crise que era essencialmente a crise da própria ideia de Estado — da autoridade e do Imperium. A Itália encontrava-se então sob a influência das infelizes ideologias do período do Risorgimento. Apresentava-se como um Estado secular, onde a influência maçónica era poderosa, com um governo liberal medíocre e uma Monarquia enfraquecida, isto é, parlamentar e constitucional; como um Estado que, no todo, era desprovido de um “mito” no sentido positivo, ou seja no sentido de ideia superior orientadora e organizadora. Que uma nação em tais condi- ções não se encontrava em posi- ção de enfrentar os problemas que as forças colocadas em acção pela guerra e pelo período do pós-guerra lhe colocavam, nem para se opor 2. Movimento Sociale Italiano, partido considerado “neofascista”. [N. do T.] 3. O que Evola veio a fazer, com a publicação do livro “O Fascismo vista da Direita e Notas sobre o III Reich”. [N. do T.] 4. Conhecemos bem as objecções, em certa medida legítimas, levantadas por algumas pessoas contra o uso da palavra “direita”, tanto pelo que se entende hoje em dia por esta palavra em Itália e, mais geralmente, por causa das referências partidistas — “direita” e “esquerda” — dentro de um sistema tal como o parlamentarista democrático, que deve ser rejeitado na totalidade. É portanto apropriado clarificar que usamos a palavra “direita” num sentido especial, especificamente como uma designação da orientação que, no interregno representado pelo regime dos partidos, melhor reflecte o que é superior aos partidos e refere-se à ideia transcendente de Estado. Boletim Evoliano 10 www.boletimevoliano.pt.vu às ideologias e às sugestões sociais da eminente revolução do Quarto Estado, tornava-se a cada dia mais óbvio. O mérito do Fascismo foi acima de tudo ter rectificado, em Itália, a ideia de Estado, ter estabelecido a base para um governo forte, afirmando o puro princípio da autoridade e da soberania política. Em princípio, na doutrina Fascista, ideologias tais como a romântica, a da sociedade de nações e a democrática são superadas, sendo atribuída a proeminência ao Estado — a dignidade de um poder por virtude do qual a Nação tem uma consciência, uma forma, e uma vontade e toma parte numa ordem supra-natural. O trinómio do Fascismo do Ventennio, “Autoridade, Ordem, Justiça” retoma inegavelmente a tradição política que criou todos os grandes Estados europeus. Mais, o Fascismo invocou de novo a ideia romana como uma integra- ção superior do “mito” do novo organismo político, e como o ideal para a asserção do novo tipo de italiano que deveria ter o poder nas suas mãos. Tudo isto é positivo no Fascismo, e a sua mensagem, se um movimento de reconstrução fosse de novo possível para nós ou para a Europa, não necessitaria de ser mudada. Precisamos apenas de eliminar os desvios do sistema. Totalitarismo e o Totalitarismo e o “Estado Ético” “Estado Ético” O primeiro destes desvios é o totalitarismo. O princípio de uma autoridade central indiscutível degenera quando se afirma num sistema que controla tudo e intervém em tudo, de acordo com a fórmula “Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado”. Tal fórmula pode ser proclamada no seio de um totalitarismo estatista sovié- tico, dadas as suas premissas materialistas, mecanicistas e colectivistas, não no seio de um sistema tradicional, que se baseia em valores espirituais. O Estado Tradicional é orgânico, mas não totalitário. É diferenciado e articulado, admite zonas de autonomia parcial. Coordena e subordina a uma unidade superior forças cuja liberdade, no entanto, respeita. É precisamente por ser forte que não necessita de uma centralização mecânica. Segundo uma fórmula afortunada, é omnia potens, não omnia facens (W. Heinrich), o que equivale a dizer que possui um poder absoluto no seu centro, que pode e deve utilizar quando necessário — mas não interfere em todo o lado, não se substitui a tudo, não pretende um recrutamento ao estilo de caserna nem um convencionalismo nivelador, mas o livre reconhecimento e a lealdade, não procedendo a intervenções impertinentes e obtusas do público no privado. O quadro tradicional é o de uma gravitação natural das partes, ou unidades parciais, em torno de um centro que comanda sem compelir, actua através do prestígio e da autoridade que pode, certamente, recorrer à força, mas se abstém dela tanto quanto possível. Quem quer que tenha vivido durante o período Fascista conhece a distância que infelizmente existiu entre a praxis do regime e este ideal do verdadeiro Estado. O que deve então ser considerado uma aberração do sistema é a concep- ção do chamado “Estado Ético”, pela qual a atmosfera do Estado é equiparada à de um educador ou reformador e o ideal do líder é o de um pedagogo insuportável e invasivo. As relações existentes entre o líder e os seus seguidores num plano viril e combattentistico, baseando-se na livre adesão e respeito mútuo e na não interferência no que é estritamente pessoal e irrelevante para o propósito da acção comum ilustra a direcção oposta, que é a direcção positiva. Assim, tudo o que no Fascismo tinha o carácter de pedagogismo estatal e de pressão não no plano político objectivo, mas no da vida moral pessoal, deve ser rejeitado. Um exemplo típico entre muitos: o da chamada “campanha demográ- fica” fascista, odiosa mesmo que não se tivesse baseado no princípio absurdo segundo o qual “quantidade é poder”, um princípio contrariado por toda a história conhecida, tendo a “quantidade” sido sempre “ O princípio de uma autoridade central indiscutível degenera quando se afirma num sistema que controla tudo e intervém em tudo, de acordo com a fórmula “Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado”. Tal fórmula pode ser proclamada no seio de um totalitarismo estatista soviético, dadas as suas premissas materialistas, mecanicistas e colectivistas, não no seio de um sistema tradicional, que se baseia em valores espirituais. O Estado Tradicional é orgânico, mas não totalitário. É diferenciado e articulado, admite zonas de autonomia parcial. Coordena e subordina a uma unidade superior forças cuja liberdade, no entanto, respeita. É precisamente por ser forte que não necessita de uma centralização mecânica. Segundo uma fórmula afortunada, é omnia potens, não omnia facens (W. Heinrich), o que equivale a dizer que possui um poder absoluto no seu centro, que pode e deve utilizar quando necessário — mas não interfere em todo o lado, não se substitui a tudo, não pretende um recrutamento ao estilo de caserna nem um convencionalismo nivelador, mas o livre reconhecimento e a lealdade; não procede a intervenções impertinentes e obtusas do público no privado.” www.boletimevoliano.pt.vu 11 Boletim Evoliano submetida por pequenos grupos de povos dominadores, impérios tendo sido fundados por estes grupos e não pelo desbordo demográfico de massas de párias e desprivilegiados transbordando para as terras dos mais ricos e não tendo nenhum outro direito do que a sua pobreza e a sua incontinência reprodutiva. Um oficial, um dos bravos defensores de Giarabub(5) não obteve a promoção que esperava, porque, não seguindo o imperativo da “campanha demográfica”, não se casou. Outro, com toda a razão, considerou abandonar o exército(6) . Nem a ideia “totalitária”, nem a do “Estado Ético”, nem o controlo da vida estritamente pessoal, deve ser reassumido pelos herdeiros do Fascismo. Estado e Nação Estado e Nação Já apontamos que o princípio tradicional da preeminência do Estado sobre o que é meramente povo e nação se manifestou de novo na doutrina do Fascismo. Esta ideia deve ser reassumida e desenvolvida no sentido de uma precisa oposição ideal entre o Estado e a “sociedade”, reunindo na palavra “sociedade” todos os valores, interesses e disposições que dizem respeito ao lado físico e vegetativo de uma comunidade e que estão ligados ao mero viver pacífico e não estão organizados segundo uma ideia superior. A antítese entre sistemas políticos que gravitam em torno da ideia de Estado e os que gravitam pelo contrário em torno da ideia de “sociedade” é fundamental. Estes últimos compreendem todas as variedades de democracia burguesa, de direito natural e por aí adiante até ao socialismo, sendo o horizonte do socialismo também limitado a valores físicos e colectivistas pela simples razão de que ele tem como sua única base o mundo e os seus processos económicos. No entanto, uma ideia de nacionalismo igualmente degenerada não tem sido claramente criticada e evitada pelos fascistas — um nacionalismo apelando aos meros sentimentos de pátria e povo e associado a um “tradicionalismo” que em Itália, devido ao próprio carácter da história anterior desta nação, não podia ter nada em comum a tradição entendida num sentido superior, limitando-se a um medíocre conservadorismo de tipo burguês, pudico, catolizado e convencionalista. A agregação do grupo nacionalista ao Partido Fascista, uma vez o Poder conquistado, contribuiu para esta limitação da ideia Fascista revolucionária. Além disso, havia as razões tácticas que levaram a jogar com os sentimentos fáceis de despertar na luta contra as correntes de esquerda. Agora, temos de ir além disto, conscientes do carácter naturalista e em certo sentido pré-político que o sentimento de pátria e nação tem, carácter pré-político não inteiramente distinto do mero sentimento de família. Temos de discernir o que é que, em contraste, une uma nação na base de uma ideia e de um símbolo de soberania. É tão mais adequado considerar isto quando notamos quão fácil é abusar do apelo da “pátria” e da “nação” através de uma retórica vazia e desonesta — isto pode ser visto hoje em dia, no ostensivo patriotismo empregue com fins tácticos e eleitorais mesmo por partidos que na sua essência tendem não só a ser antiEstado mas também a negar o possível conteúdo superior que pode ser reunido por um nacionalismo purificado. 5. Durante a II Guerra Mundial Giarabub foi um posto militar italiano localizado num oásis no deserto líbio, cercado pelos britânicos e defendido heroicamente pelos soldados italianos, apesar da sua situação desesperada. [N. do T.] 6. Seguindo a mesma orientação, no Fascismo, a preocupação com a “pequena moralidade” em vez da “grande moralidade”, especialmente em relação à sexualidade, com as correspondentes medidas de censura e interdição estatal. A este respeito, é bom que as pessoas, especialmente os jovens, saibam hoje em dia que o Fascismo não foi muito diferente do actual regime de tipo puritano demo-cristão mas diferia bastante do que era peculiar ao Nacional-Socialismo alemão. Boletim Evoliano 12 www.boletimevoliano.pt.vu “Diarquia” “Diarquia” O grande problema que, hoje em dia, dado que as condições gerais se encontram modificadas de forma fundamental, é extremamente difícil de resolver de forma prática, diz respeito ao sistema institucional no qual o princípio da pura autoridade política e espiritual tem de ser positivado. Várias críticas foram dirigidas, a partir de vários pontos de vista, contra a “diarquia”, isto é, contra a coexistência da Monarquia e de um tipo de ditadura no período Fascista. Alguns pensaram vislumbrar na aceitação Fascista da instituição monárquica um mal-entendido ou uma falha da força revolucionária do movimento mussoliniano. A verdade é que, se uma verdadeira Monarquia existisse em Itália — uma Monarquia enquanto poder e não como mero símbolo — o Fascismo nunca teria surgido, a “revolu- ção” não teria sido necessária ou, melhor, teria tido a forma de “revolução de cima”, a única aceitável num regime tradicional, sendo o sistema de “pesos e contrapesos” institucionais abolido. Como no entanto a realidade não era esta, outros métodos tiveram de ser empregues. Virando-nos do plano da história recente para o da pura doutrina, não se deve pensar que a “diarquia” é uma cedência ou um híbrido; pelo contrário, pode ter o seu crisma tradicional. Uma “ditadura” não pode adquirir um carácter institucional permanente. A Roma Antiga admitia-a em casos de necessidade e enquanto essa necessidade durasse, como um recurso que não era revolucionário, mas era visto com perfeita equanimidade como parte da legítima ordem existente. Encontramos também noutras constituições tradicionais dualidades equivalentes à do rex e do dux, do rex e do heretigo ou imperator (no sentido militar), sendo que o primeiro encarna o puro, intangível e sagrado princípio da soberania, e o segundo aparecendo como aquele que, em períodos tempestuosos ou em vista de exigências particulares, executava deveres excepcionais numa posição arriscada que, devido à própria natureza da sua função, não podia aproveitar ao rex. Requeria-se dele que, ao contrário do rex, possuísse as qualidades de indivíduo excepcional e particularmente dotado, já que ele não derivaria a sua autoridade de uma função não-actuante puramente simbólica e, de certo modo, “olímpica”. Além do mais, em tempos menos remotos, certas figuras como Richelieu, Bismarck, Metternich e, até certo ponto, mesmo Cavour, em alguma medida desempenharam este papel em relação aos respectivos Soberanos. Falo aqui num plano abstracto, o plano dos princípios puros. O que aconteceu em Itália no contexto do Fascismo e das suas crises não pode ser julgado simplesmente nestes termos. O que pode ser dito doutrinariamente no entanto é que quer Mussolini tivesse conseguido libertar-se ou não da sua principal função, análoga à dos grandes chanceleres lealistas, que começou com a criação do império não em seu benefício mas como um servi- ço ao Rei de Itália, a hibridez do sistema Fascista seria ainda assim evidente no seu populismo, na sua aquisição de prestígio que se aproximava da de um Bonaparte ou de um Tribuno, a sua proeminência enquanto personalidade, e a sua inclinação democrática, senão demagógica, de ir “ao encontro do povo” e não desdenhar a adulação do público (cuja recompensa recebeu 1945). Um ponto é muito importante para a tarefa de diferenciação em que estamos presentemente envolvidos: quase não se sente hoje em dia, mas existe uma insuperável diferença entre a autoridade “sagrada” de um governante genuíno e a autoridade baseada no poder informal, nas capacidades, e nos dotes de um indivíduo excepcional, desde o “Príncipe” de Maquiavel até às figuras “cesaristas” concebidas por Spengler no final obscuro de qualquer “civilização”, para excitar as forças emocionais e irracionais das massas. No mundo tradi- www.boletimevoliano.pt.vu 13 Boletim Evoliano 7. A presença de homens do partido em muitas posições governamentais durante o regime teve frequentemente efeitos negativos, devido à confusão de planos. Os méritos indiscutíveis que este ou aquele Fascista possa ter tido, enquanto esquadrista ou activista da primeira hora não eram suficientes, por si sós, para a atribuição de funções de ordem puramente política, económica ou cultural, para as quais a competência, a experiência, e a formação, que não se podiam esperar dele, eram necessárias. Destas interferências derivaram várias fraquezas do regime, e ocorreram muitos casos de forças válidas que se encontraram obstruídas pelo bloco constituído pelos homens do partido, que tinham muito poucos méritos para além dos que já mencionamos. cional as pessoas obedecem e são subordinados ou súbditos na base de um “pathos de distância” (Nietzsche), porque sentem que estão na presença de alguém que é quase de outra natureza. No mundo de hoje, com a transformação do povo em plebe e em massa, eles sabem no máximo como obedecer na base de um “pathos de proximidade”, isto é, de igualdade: apenas suportam um líder que, na essência, é “um de nós”, “popular”, interpreta a “vontade do povo”. O Ducismo num sentido inferior, tal como afirmado especialmente no Hitlerismo, corresponde a esta segunda orientação moderna e anti-tradicional. Hoje, as forças que resistem estão muito longe de atingir o estado de consideração apropriado àqueles que vêem a conquista do Estado como a possibilidade de um futuro próximo. Portanto o que dissemos neste parágrafo sobre a diarquia e o restante deve ser considerado apenas como doutrina, abstraindo qualquer consideração sobre a situação presente, homens e coisas. Porque, para olhar a realidade, teríamos de repetir o que um grande representante da ideia contra-revolucionária disse logo em 1849: “Não existem hoje reis que se atrevam a intitular-se como tal que não pela vontade do povo, e, se existissem, ninguém lhes obedeceria”, e, a partir desta observação teríamos de concluir que apenas soluções empíricas e anormais podem ser consideradas para um período que, no sentido Romano, podemos chamar de interregno, um período cujo fim é ainda impossível prever. O partido único O partido único A ideia do partido único e da função que lhe é peculiar representou, no Fascismo, algo híbrido; o aspecto positivo contido nele tem de ser isolado do resto e correctamente implementado. O verdadeiro Estado, quase não o precisamos de dizer, não conhece a partidocracia do regime democrático e parlamentar. Mas a ideia do partido único é um disparate, porque dizer partido significa parte, e implica portanto uma multiplicidade; então o partido único seria a parte que pretende tornar-se o todo, ou por outras palavras, uma facção que elimina as outras sem se elevar a um plano superior, precisamente porque se continua a considerar como um partido. O Partido Fascista na Itália de ontem representava uma espécie de Estado dentro do Estado, um empecilho a um sistema realmente orgânico e monolítico. Na fase da conquista do poder pode ter tido uma importância vital como centro de um movimento nacional. Após esta fase, no entanto, a sua existência continuada não fazia sentido. Isto não deve ser considerado um argumento a favor da “normalização”, num sentido inferior, com o correlacionado decréscimo de tensão política e espiritual. As forças válidas de um partido que se afirmou devem permanecer no Poder noutra forma, tornando-se parte das hierarquias normais e essenciais do próprio Estado, ocupando as suas posições chave e constituindo uma espécie de guarda armada do Estado, uma elite portadora, em alto grau, da Ideia. Então, mais do que um partido, precisaremos de falar de uma espécie de “Ordem”. É a mesma fun- ção que, noutros tempos, a nobreza teve enquanto classe política — até ao período dos impérios europeus centrais. Como forma muito aproximada, temos a Casa dos Lordes na sua concepção original. O Fascismo manteve pelo contrário a concepção do “partido” e houve um tipo de duplicação do Estado e articulações políticas (Milícia ao lado do Exército, Federais ao lado dos Perfeitos, Grande Conselho ao lado do Parlamento, e por aí adiante), em vez de uma síntese orgânica e uma simbiose. Isto não pode ser considerado um elemento válido da herança do Fascismo(7) . Finalmente, a própria concep- ção do Partido Fascista ressentiuse dos efeitos das suas origens, por falta de critério qualitativo: era a de um partido de massas. Ao invés de fazer a militância no partido um difícil privilégio, o regime impô-la a quase toda a gente. Há por aí alguém que, na altura, não tivesse o “cartão”? Quem se podia dar ao luxo de o não ter? Daí a consequência fatal de militância externa, con- Boletim Evoliano 14 www.boletimevoliano.pt.vu vencionalista e oportunista — com efeitos que surgiram precisamente no momento da crise. Originalmente, no comunismo e no próprio nacional-socialismo, a concepção do partido tinha pelo contrário um carácter muito mais exclusivo. Para nós, o ponto de referência positivo, a contraparte positiva ao conceito de partido único, tem de ser o de Ordem, servindo como a coluna do Estado e participando, até certo ponto, da pura autoridade e dignidade que se reúne no topo do Estado. Corporativismo e Autarcia Corporativismo e Autarcia No plano dos princípios, o valor do Fascismo reside essencialmente no seu aspecto político, e apenas secundariamente nos seus aspectos socio-económicos, porque, de acordo com a concepção tradicional, os problemas socio-económicos num sentido restrito não podem ser absolutizados para lá do lugar que lhes pertence no esquema de uma hierarquia mais vasta de valores e interesses. No entanto, neste plano, o que permanece válido é o imperativo Fascista de combater, em primeiro lugar, o sistema de incompetência peculiar à democracia, de substituí- lo por um princípio de solidariedade, energia e unidade num mundo que sentia e sente os efeitos das influências deletérias da consciência de classe, do partidismo, do regime de influentes e incompetentes trapaceiros políticos, para além dos antagonismos entre os capitalistas monopolistas, os mercados e as forças do trabalho no sistema de inspiração liberal. A este respeito, o sistema corporativo, se julgado na base da sua orientação e do seu requisito fundamental, representa indubitavelmente outro aspecto positivo do Fascismo. Esta orientação pode ser definida como a de uma reconstru- ção orgânica da economia através da re-assumpção, numa escala gigantesca adequada às dimensões da economia moderna, do espírito que, tudo considerado, era já a for- ça motriz das antigas corporações e, em geral, das empresas antes delas serem comprometidas por um lado pelos desvios e abusos de poder do capitalismo tardio, e por outro lado pela intoxicação marxista que se espalhou entre as massas trabalhadoras. Mas um requerimento deste tipo na praxis do regime foi apenas levada a meio. No corporativismo fascista existiam ainda réstias da consciência de classe porque — mais uma vez devido às origens do movimento, e mesmo devido aos precedentes pessoais de Mussolini — não houve a coragem de assumir uma posi- ção claramente anti-sindicalista; o sistema até decretou legislativamente a dupla formação dos empregadores e dos trabalhadores, uma dualidade que não foi superada onde deveria ter sido, ou seja, nas próprias empresas, através de formas orgânicas originais, mas pelo contrário através de ineficientes e frequentemente parasitas superstruturas estatais, moldadas por um pesado centralismo burocrático. Quase não é necessário acrescentar que o corporativismo do Ventennio e as posições do “segundo Fascismo”, a “socialização”, o confirmado e alargado reconhecimento do sindicato representaram um passo atrás e não um passo em frente. Se houve um passo em frente e um exemplo a manter mais do que qualquer outro, foi, em princípio, a legislação laboral Nacional-Socialista, que excluía o sindicalismo e mostrou como, nesta base, era possível chegar a uma orgânica e eficiente reconstrução da economia, com a adequada satisfação da necessidade de “justiça social” que foi correctamente compreendida, e não de acordo com uma demagogia legalizada (como actualmente em Itália). Podemos então recolher do corporativismo fascista, por um lado, o princípio de uma solidariedade anti-classista na ordem produtiva, superando tanto o liberalismo como o socialismo numa concepção orgânica, de outro lado o princípio de um regime funcional, tendo também um conteúdo político através da Câmara Corporativa em substituição do parlamento democrático dos partidos. O que algumas pessoas consideraram como uma falha, e quase como um travar da “revolução social” do Fascismo neste campo, deve ser considerado pelo contrário um dos seus méritos. O Fascismo opôsse ao chamado “pan-corporativismo”, ou seja, à redução do poder estatal nas corporações, e promoveu o aumento do poder estatal na economia. O primado do princípio político sobre a economia, que deveria ser mantida na sua condição normal de mera ordem de meios, foi reconhecido e afirmado, e isto deve ser considerado como a sua mensagem positiva. Se a absurda “A ideia do partido único é um disparate, porque dizer partido significa parte, e implica portanto uma multiplicidade (…) Para nós, o ponto de referência positivo, a contraparte positiva ao conceito de partido único, tem de ser o de Ordem, servindo como a coluna do Estado e participando, até certo ponto, da pura autoridade e dignidade que se reú- ne no topo do Estado.” www.boletimevoliano.pt.vu 15 Boletim Evoliano Para lá disto, tudo é ainda indefinido. Permanece até indefinido, em geral, o que pode ser feito fora do plano da orientação doutrinária, depois de se ter determinado o que pode ser usado no legado Fascista por um puro radicalismo de direita. Como notamos, é ao Fascismo do Ventennio que nos referimos até aqui. Basicamente, discutimos exclusivamente questões doutriná- rias, e o segundo Fascismo, o de Salò, para nós, pode ser reassumido quase exclusivamente de acordo com este critério. Demasiados factores contingentes e infelizes, no entanto, afectaram o que quer que tenha possuído de tosco esbo- ço de doutrina político-social; faltou-lhe completamente um período de maturação. O valor do segundo Fascismo reside pelo contrário no seu aspecto combattentistico e legionário. Como já foi justamente dito, reside no facto de, com ele, talvez pela primeira vez na nossa história, um impressionante número de italianos ter escolhido decididamente a via do sacrifício, da derrota e da impopularidade em nome do princípio de lealdade a um líder e da honra militar. O seu valor reside, de forma geral, na pura vontade heróica de lutar mesmo por posições perdidas. Neste plano — portanto, um plano existencial e não político — a continuidade entre o primeiro e o segundo Fascismo deve ser reconhecida, e as instruções ideais deste podem ser reassumidas. De facto, dada a atmosfera e as forças que prevaleciam tanto na Itália como no mundo, ter a coragem das “afirmações soberanas”, termo-nos declarado por um longo período de tempo pelas ideias que isolamos como potencial conteúdo tradicional do Fascismo pode apenas significar hoje testemunhar a vocação dos combatentes do norte: defender um ideal e manter as posições, mesmo tratando-se de posições que se vão perder, ou melhor, mesmo que seja duvidoso que os que se vão manter acordados durante a noite possam encontrar os que aparecerão na manhã. fórmula de “Estado do Trabalho” aparece aqui e ali, e se alguém, levado por um infeliz conjunto de circunstâncias a uma posição de certa autoridade no Fascismo, não estava satisfeito com ter avançado a corrupta fórmula do “Estado Ético”, mas produziu, para além dela, a ainda mais deplorável fórmula do “humanismo do trabalho”, tudo isto pode ser remetido ao desperdício, à parte evanescente do Fascismo, não à sua parte essencial e válida. Isto deve ser hoje afirmado mais resolutamente do que nunca. Viremo-nos agora para um outro assunto, que não diz respeito apenas à economia nacional. Os mais variados círculos contemporâneos costumam condenar o princípio Fascista da autarcia. Não nos podemos associar de modo algum a esta condenação. À escala das na- ções não menos do que à da pessoa, não há bem maior do que a liberdade. É bem sabido que o conceito de autarcia tem origem na Antiguidade clássica, nas escolas estóicas, onde era considerada como um imperativo da ética de independência e auto-soberania; para defender estes valores o preceito era, se necessário, abstine et substine. O princípio Fascista da autarcia é um tipo de extensão desta ética ao plano da economia nacional. Manter o nível geral de vida relativamente baixo se necessário, para que se possa ser tão livre quanto possível das ataduras do capital e de economias estrangeiras, é uma ideia sã e viril. No que toca a uma nação com limitados recursos naturais, como a Itália, um sistema de autarcia e austeridade no contexto de uma economia de consumo equilibrada ao invés de uma de produção forçada e do supérfluo deve ser contraposto ao que assistimos hoje: uma aparente prosperidade geral e uma vida quotidiana descontraída, e, para além das condições próprias, um atroz saldo da dívida da balança estatal, uma extrema instabilidade, uma infla- ção progressiva e a invasão de capital estrangeiro — invasão que hoje em dia tem o encantador mas hipócrita rótulo de “apoio ao desenvolvimento de áreas subdesenvolvidas”. Rússia e América Rússia e América Já que com estas últimas observações nos deslocamos da doutrina interior do Estado para as rela- ções internacionais, quase não precisamos de dizer que uma coisa que deve ser pura e simplesmente reassumida do Fascismo, como uma clara palavra de ordem, é a oposição tanto à Rússia como à América, ao “Leste” como ao “Ocidente”, segundo a terminologia que se tornou popular. Mesmo que de formas diferentes, estas duas “sociedades” de nações, que pretendem ser, e, infelizmente são-no hoje em dia, em grande medida, as nações líderes, representam no mesmo grau a anti-tradição e a negação dos valores superiores do legado europeu. Infelizmente, hoje, não podemos pensar em mais do que uma defesa interior, espiritual, por falta da necessária base para um terceiro bloco económico e militar capaz de se opor de algum modo a ambos os perigos no plano da política mundial. Defesa interior, no entanto, do americanismo como do comunismo, teria já um grande significado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário